É por isso que vão se passar mais 2 mil anos e Jesus não voltará…

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O jeito correto de fazer selfie.

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Casamento moderno.

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E agora, como vai guardar o leite das crianças, gente?

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Lambuzando-se de chocolate nesta páscoa maravilhosa.

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Chato quando isso acontece, né?

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Sem lirismo, qualquer um pode informar. (Nihil)

Cá, no alto de minha ignorância, eu adorava os jornalistas. Sim, houve uma época em que eu os achavam os deuses da informação, do conhecimento e do lirismo, por que não? Uma profissão glamourosa, de dedicação e profunda inspiração recorrente. Afinal, quem escreve todo santo dia tem técnicas, tem traquejo de como desenvolver bem um texto, sem muito penar, sem passar horas olhando pra uma tela em branco e sem titubear tanto sobre qual é a melhor palavra a ser encaixada naquela bendita informação. Que público estará lendo aquilo? Será melhor escrever que algo é “incongruente” ou um “totalmente sem sentido” já basta? Isso é dúvida de escritor entusiasta, desses que escrevem em blogs de quinta, tipo eu.

Juro que não quis começar o texto com ironia. É sério, eu realmente pensava assim. Não por total ingenuidade, mas por ter tido excelentes experiências literárias com jornalistas que tornaram-se grandes escritores. Ou seria o contrário? Pouco importa.

Sou fã assumido do Nelson Rodrigues, que começou a escrever ainda na adolescência e tornou-se um jornalista renomado, antes mesmo de ser um dramaturgo genial. Nelson escreve de formas diferentes e sob pseudônimos diferentes onde você consegue ser facilmente enganado, achando que é um autor diferente à medida que ele deseja ser. Na sua obra que mais gosto – Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo – ele desenvolve seus textos num estética literária absurda, de fazer inveja a qualquer escritor. E obviamente, pensei que o meu amigo Nelsinho alcançou esse patamar por conta da prática cotidiana da escrita, que ia desde textos policiais aos esportivos.

Não diferente, George Orwell era um jornalista exímio. Muito à frente da sua época, tornou-se um escritor genial, visionário e até hoje é um dos grandes nomes da ficção e da distopia. Quem nunca ouviu falar de “1984”? E se por acaso não tenha ouvido, o famoso “big brother” nasceu por ideia do Orwell, que é atemporal e perdura até hoje. Em “A revolução dos bichos”, o autor faz uma grande sátira à revolução russa e escancara a forma como as coisas aconteceram a ponto de assustar e deixar o leitor apreensivo. Uma obra crucial pra quem deseja entender o mínimo de política. Não obstante, fui levado a crer que por ser um jornalista genial, sua intimidade com a literatura fosse consequência da profissão.

Em seguida, o mais underground dentre os jornalistas que citei até então, Henry Louis Mencken. Americano, nascido em 1880 e colunista de alguns jornais da época. Era um crítico ferrenho da sociedade vigente e, obviamente, foi muito odiado. Mencken criticou gente grande, a lei seca americana, os zoológicos, a política, a economia, o diabo… E ainda ateu; O que pra época era um enorme absurdo. Ele também caiu na literatura e escreveu muito bem, obrigado, o aclamado “O livro dos insultos”. Uma obra visionária e um compêndio de críticas bem embasadas e com argumentos sólidos, bem construídos. E claro, acreditei que essa habilidade toda vinha de onde? Do seu dia-a-dia como jornalista.

Por fim, uma das minhas maiores paixões literárias, o jornalista Christopher Hitchens. Tornou-se famoso pelas milhares de coisas que já fez. Foi colunista de um jornal inglês, correspondente de guerra em diversos países e um ateu militante que participava de debates hercúleos com diversas autoridades sobre cristianismo versus ateísmo e de como a religião é um mal, no sentido absoluto da palavra. Hitchens debateu com o ex-primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, e conseguiu deixá-lo reticente e desnorteado com seus argumentos acertados, sarcásticos. Obviamente, Hitchens era um gênio diferenciado. Um profundo conhecedor de história, política, antropologia, sociologia, o escambau; feminista assumido. Já escreveu até um livro sobre os males causados pela Madre Teresa de Calcutá (The Missionary Position – que nunca foi lançado no Brasil) e por mais que fosse odiado, era respeitado e temido por todos os seus adversários intelectuais. Dois de seus livros estão na minha lista de preferidos: O “Deus não é grande” e o “Últimas palavras”, que escreveu quando soube que estava com um câncer que veio a matá-lo em 2011. Ambos são escritos com muito esmero e é de dar inveja a quem não domina a arte de escrever como o Hitchens dominou. Hitchens escrevia por hobby, pra matar o tempo. Mas óbvio, acreditei que suas habilidades foram desenvolvidas por conta do jornalismo.

Pelo que descrevi acima, em algum momento da minha vida, eu endeusei os jornalistas. Ledo engano. Errei feio, errei rude. A maioria dos jornalistas não são, nem de longe, os gênios que foram alguns escritores. Tive um choque de realidade ao descobrir que são apenas “informadores”, em sua maioria. Não que isso seja uma ofensa, ou um elogio, é apenas um fato. Com o avanço da internet e a necessidade incessante de informações, o jornalismo passou a ser ululante em sua enxurrada de informações inúteis. O jornalismo criou uma penca de “escritores” vazios, que nunca tiveram nenhum lirismo.

Quantas notícias você leu no último ano? Vamos chutar uma quantidade aproximada de mil, mais ou menos. E quantas delas você parou pra ler além do título? Quantas delas você parou pra verificar se eram reais? E quantas você se lembra bem e considera importante até hoje? Bem, imagino que poucas. E acho que isso é até normal, hoje em dia.

Eu pensava que os jornalistas que cobriam uma guerra fria, por exemplo, conhecia os fatos históricos. Sabiam as causas e até poderiam explicar as consequências futuras da guerra. O mesmo vale pra guerra civil na Ucrânia e pra outros inúmeros fatos históricos que trataram de noticiar. Mas quantos desses jornalistas sabem algo além do “Ucrânia e Rússia se desentendem. Rússia ameaça cortar a distribuição de gás para o país. Obama dá chilique e Putin põe o pau na mesa pra dizer que não está nem aí.”?

Daí chegamos na jornalista mais lugar-comum que o Brasil já teve opinando: Rachel Sheherazade. Você já deve ter ouvido falar, se não, não perdeu muita coisa. Mas ela é o retrato das ideias do populacho desinformado. A senhorita Sheherazade, só serve pra reproduzir discursos que meu tataravô fazia, quando, talvez, tivesse escravos. Notícia: “Um garoto bandido foi amarrado a um poste e linchado por populares” – Opinião Sheherazadiana: “É até compreensível que amarrem-no num poste e façam justiça com as próprias mãos.” – Fim. Grande opinião. Acrescentou o quê? Acrescentou a quem?… Bem, segundo os próprios jornalistas, quem tinha dúvida se isso era certo ou errado, já não tem mais. Afinal, alguém da grande mídia disse que era aceitável e os índices de “amarrar pobre em poste” aumentou significativamente. Mas só pobre, porque amarrar bandido rico ou político, acham desumano.

Acho que seria muito exigir que a Sheherazade conhecesse de sociologia, antropologia, política, história do Brasil, economia e direitos humanos. Seria pedir demais que um jornalista-médio brasileiro soubesse fazer muito mais que informar. Seria demais até exigir diploma da maioria dessas pessoas, decidiu o governo. Então, vamos parar de exigir demais de quem tem conhecimento limitado por opção. Talvez nem façam por mal, talvez.

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Nihil é pago pelo PT e pelo PSDB para escrever textos aleatórios… mas continua apartidário e pobre.

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