“Better Never to Have Been – The Harm of Coming Into Existence”, de David Benatar

ATENÇÃO!

Se você está em uma crise existencial ou anda flertando com o suicídio, a leitura desse livro não é recomendada.

“Better Never to Have Been – the Harm of Coming Into Existence”

 

Ele não vai te dar nenhuma razão para continuar vivo, pelo contrário, como o próprio título já adianta (Better Never to Have Been = algo como “Melhor Nunca Ter Existido”, e “The Harm of Coming Into Existence” = “O Mal de Existir” ou “O Dano de Vir à Existência”).

Embora, a princípio, mais se pareça com uma campanha pró-suicídio, a intenção do autor fica evidente logo nas primeiras páginas desse livro tão controverso: trata-se de uma (brilhante) obra antinatalista, que consegue convencer qualquer um de que a vida é uma bela de uma bosta e que a existência é o maior dano que o ser humano já sofreu. Por isso, é possível – mais do que isso, é preciso – evitar o sofrimento daqueles que ainda não vieram a nascer, poupando-lhes de existir (seja abortando ou não concebendo filhos de qualquer forma).

Vejam o prefácio:

Cada um de nós foi prejudicado ao ser trazido à existência. Esse prejuízo (ou dano) não é algo negável, porque a qualidade, mesmo das melhores vidas, é muito ruim – e consideravelmente pior do que muitas pessoas acham que é. Embora seja um pouco tarde para prevenir nossa própria existência, ainda é possível prevenir a possível existência de futuras pessoas. Criar novas pessoas é, portanto, moralmente problemático. Nesse livro eu argumento em favor dessa perspectiva e mostro porquê as respostas mais comuns dadas para ela – incredulidade, senão indignação – estão erradas.”

Ao longo do livro, ele vai nos mostrando que as razões pelas quais existimos são bastante superficiais, de modo que não compensam o sofrimento existencial. O que leva uma vida a valer a pena? A expectativa de prosperidade que, mesmo após alcançada, vai ser insuficiente? É por isso que essa leitura é algo que, definitivamente, não se deve mostrar a um suicida.

A abordagem feita por David Benatar é bastante ampla e não se resume a um subjetivismo dramático; ele é bastante prático e, inclusive, fala de uma forma bem crua sobre os aspectos econômicos e políticos da existência e da procriação, além de defender o aborto (sob a sua perspectiva de “pró-morte”) de uma forma genial, elencando argumentos muito bem fundamentados que derrubariam o discurso de qualquer cristão sem grandes esforços (e o melhor: ele não fala de moral religiosa!).

Não é pra menos, certo? Considerando que a maior parte do seu pensamento antinatalista tem influência visível de Schopenhauer (e durante a leitura eu percebi algumas características malthusianas, também, principalmente quando ele fala de superpopulação e outros aspectos quantitativos da existência) e traços niilistas gritantes.

Para finalizar, ele arremata de uma forma que soaria bastante pessimista e misantrópica se não fosse uma expressão indiscutível da realidade:

Ainda que o fim da humanidade reduzisse bastante os danos, ele não seria capaz de acabar com tudo. Os restantes seres sencientes continuariam a sofrer (…). Essa é uma razão pela qual o argumento misantropo não vai tão longe quanto os argumentos que defendi nesse livro – argumentos que vêm não da antipatia em relação à espécie humana, mas de uma preocupação para com os seres sencientes e os danos que sofrerão.”

Resumindo: esse livro é uma versão muito mais elaborada do meme “Queria Estar Morta”; eu diria que seria uma releitura eloquente chamada “Queria Nunca Ter Existido”.

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Não achei o livro disponível em português e também não achei para vender. Só o tenho em formato .PDF, quem tiver interesse é só pedir pro Nihil depois que ele manda por e-mail. É uma leitura fundamental – exceto se você tiver tendências suicidas e quiser uma boa justificativa para acabar com tudo – o que não é o propósito de um site familiar como esse que vocês acompanham. Queremos vocês vivos e acessando o site da família brasileira. E por favor, não façam mais bebês. Pensem em como eles sofrerão no futuro e usem camisinha. Nihil, Fuck! também é saúde. 

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Nunca entre em guerra contra o Canadá, eles lançam pirocas.

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Saudades, Sabadão Sertanejo.

 

sabadaosabadao2
sabadao3

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Vai um big mac aí?

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Spiderman já teve dias melhores.

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