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O Verdugo.

Um dia sem nuvens: céu aberto por onde o sol se aproxima. Na praça central, uma multidão se empurra procurando melhores lugares. Há muitos espectadores e apenas dois personagens: meu verdugo e eu. Em minha cela, próxima à praça, faço minha última refeição. A multidão grita, alimentada pela navalha brilhante da guilhotina. Serei o primeiro de muitos a serem executados nesta manhã. Tive que acordar cedo, tomar um café fraco, arrumar meus pertences para serem entregues à minha família. No momento, apenas eu, uma vela, uma folha de papel, uma pena, um tinteiro e minha sombra. Nada mais. Se existissem janelas eu poderia observar as pessoas levantando as mãos em euforia.

Falta pouco. Desde minha condenação fico a esperar o momento próximo. Um calor sufoca-me. Uma falta de ar me é agora a companhia que eu não queria. Visto calças e camisa de tecido vagabundo e uso uma sandália de couro cru para completar as vestes que uso – eu e qualquer condenado neste país. Por falar em condenação, meu crime foi como qualquer outro. Uma ação fora das regras que eu mesmo desconhecia. Mas de qualquer forma fui julgado, xingado, vaiado, condenado. Agora tomo meu lugar.

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